COMO PARTICIPAR | Construção

ESCOLHA DO LOCAL
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A criação de novos charcos é útil no melhoramento de paisagens e áreas de lazer para a população, na criação de microclimas em jardins e zonas agrícolas, na recuperação da qualidade das águas superficiais e é uma ferramenta para a conservação de espécies que vivem ou dependem de pontos de água doce para a sua sobrevivência, compensando a destruição e degradação de charcos por motivos antropogénicos.


Quando se decide criar um novo charco, nem sempre existe muita liberdade de escolha do local onde este pode ser construído. Mas, sempre que há possibilidade de escolha de um local, deve ter-se em conta os seguintes aspectos: Disponibilidade de água não poluída – Novos charcos devem ser construídos preferencialmente em locais onde exista naturalmente possibilidade de retenção de água limpa.

Os locais com maior potencial para a criação de charcos são aqueles com solo pouco permeável, onde naturalmente se acumula água da chuva e onde a escavação não requer muito esforço. Naquelas zonas onde a chuva é mais escassa, devem aproveitar-se as fontes e nascentes existentes para criar charcos. Procure áreas húmidas, proximidade de nascentes, minas, poços, fundos de vale, ou pense na possibilidade de recolha de água dos telhados. Quando o charco é abastecido por água de escorrência superficial é útil conhecer a origem da água e as possíveis fontes de contaminação (de forma a que se possa tentar a sua resolução) pois a boa qualidade de um charco está muito dependente da qualidade da água que recolhe. Embora a criação de charcos em locais de uso intensivo do solo (como agricultura ou pecuária intensivas e industrias) possa ser importante na purificação das águas contaminadas, antes que estas atinjam outros pontos de água, charcos eutrofizados não suportam tanta biodiversidade como charcos saudáveis e não permitem a concretização de todos os objectivos pedagógicos desta campanha. Evite criar charcos abastecidos por linhas de água, uma vez que estas transportam sedimentos que preencherão o charco, reduzindo o seu tempo de vida (ver “Manutenção”). Charcos abastecidos por lençóis freáticos frequentemente têm boa qualidade da água.


Ilustração 1 - fontes de água para os charcos



Ilustração 2 - o que é a água subterrânea?



Ilustração 3 - localização estratégica de novos charcos

3.1  – Representação de uma paisagem mista com áreas urbanas a cinza e naturais a verde, atravessadas por um rio e com charcos e lagos dispersos tanto nas áreas rurais/naturais como nos parques urbanos.
3.2 – Representação a tracejado de um hipotético limite de dispersão de uma espécie aquática (ex: anfíbio), delimitando a área onde é mais fácil a colonização de novos charcos. Este esquema mostra que há áreas onde a espécie está ausente e onde, pela grande distância a outras zonas húmidas, novos charcos não serão colonizados naturalmente. Neste esquema assinalam-se locais estratégicos para a criação de novos charcos, dentro do limite de dispersão natural, criando corredores ecológicos que permitam a conectividade entre as várias populações e a dispersão até locais onde existe habitat favorável ainda por colonizar. 3.3 – com a criação de novos charcos (azul mais claro) em locais estratégicos consegue-se criar novas conexões (a laranja) entre as diferentes populações.


Habitat terrestre envolvente – A construção de novos charcos deve ser preferencialmente feita em locais envolvidos por áreas naturais ou rurais (figura3.2, A) ou que a elas estejam conectados (Figura 3, B), ou, corre-se o risco de não haver colonização natural do charco por espécies selvagens ou de não haver habitat terrestre que suporte a fixação de uma população de anfíbios. Certifique-se que o charco não ficará rodeado ou a jusante de áreas de uso intensivo do solo, pelos motivos referidos no tópico “Disponibilidade de água não poluída”

Proximidade de outros charcos – Para a conservação da biodiversidade dos charcos, é preferível a criação de um complexo de charcos permanentes, sazonais e temporários à criação de charcos isolados. Construa charcos próximos de outras zonas húmidas (Figura 3, C), favorecendo assim a conectividade entre populações e a colonização natural dos novos charcos.

História do local – Criar um charco num local (ou próximo) onde outrora já existiu um charco, pode facilitar a sua re-colonização por espécies que tenham existido anteriormente, bem como ajudar a recuperar populações locais de anfíbios cujos locais de reprodução tenham sido destruídos. (Figura 3, D)

Potenciais corredores ecológicos – Crie charcos em locais que possam funcionar como corredores ecológicos, conectando assim diferentes populações isoladas de espécies que dependam do meio aquático (anfíbios, invertebrados, plantas aquáticas). É particularmente importante conectar pequenas populações isoladas em áreas urbanas (ex: jardins e parques urbanos, figura 3, E) que de outro modo tenderiam a desaparecer. É também importante conectar áreas com habitat favorável, mas sem populações de espécies aquáticas por não estarem actualmente conectadas a áreas onde estas existem (figura 3, F).

Espécies raras – Crie charcos próximos de locais onde existem espécies pouco comuns que dependam de charcos, ajudando assim a aumentar as suas populações ou a sua área de distribuição (figura 3, G).

Boa exposição solar – É importante que o charco tenha boa exposição solar, não devendo ser construído em locais onde fique permanentemente ensombrado, podendo no entanto, ter algumas zonas com sombra. A luz solar permite um maior desenvolvimento de vegetação aquática e algas, responsáveis pela purificação e oxigenação da água. A radiação solar permite o aquecimento da água, acelerando o desenvolvimento larvar dos anfíbios, embora, em locais ventosos e em climas mais secos, possa aumentar a evaporação, podendo mesmo secar o charco. A criação de sombra e de quebra-ventos em locais com excessiva exposição solar é fácil, mas o contrário pode ser impossível, ou seja, aumentar a exposição solar em charcos ensombrados por montes, edifícios ou árvores. Aproveitamento da radiação reflectida – Ao pensar na localização de um charco, lembre-se do possível aproveitamento das condições por ele criadas. Quando um charco é criado a sul de um edifício, a luz solar reflectida na superfície de um charco pode ser aproveitada para aumentar a luminosidade e temperatura do edifício no Inverno, reduzindo os seus consumos energéticos. Este efeito pode ser também aproveitado em hortas, pomares ou jardins, para aumentar o crescimento e produtividade de plantas que exigem mais luz.

Pondere não escavar – Não escave charcos em locais onde existam espécies ou habitats valiosos, raros, ameaçados ou protegidos por lei, nem onde seja susceptível de destruir património arqueológico. Charcos construídos em áreas naturais distantes de zonas húmidas (H) ou isoladas em áreas urbanas (I), poderão não ser colonizadas ou sê-lo mais lentamente, por pouca conectividade com outras populações.

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